Documento de Rede


IDENTIFICAÇÃO DAS NECESSIDADES E OBJETIVOS CORPORATIVOS

Como início de uma documentação de rede, é importante ter uma descrição do que o cliente necessita e quais são seus objetivos. A palavra cliente aqui é usada no sentido mais amplo, identificando a própria corporação.

O ideal é que a rede seja encarada como uma ferramenta para ajudar a corporação a atingir seus objetivos de negócio e, para tanto, a corporação espera que a rede atenda bem suas necessidades.

É importante destacar os objetivos e restrições do negócio, os objetivos e restrições técnicos, e caracterizar o tráfego projetado para a rede, incluindo principais fluxos (de onde vem e para onde vão os fluxos de dados – aplicações da intranet, aplicações da extranet, uso da Internet, tráfego entre matriz e filiais), carga – agregação de fluxos e requisitos de QoS (Quality of Service).

Requisitos técnicos tais como escalabilidade, disponibilidade, desempenho, segurança, gerenciabilidade, usabilidade, adaptabilidade e custo-benefício, devem ser descritos.

O escopo da rede, ou seja, sua abrangência – física e de serviços – dentro da corporação deve ser bem definido. O ideal seria destacar bem os locais e serviços que devem e não devem ser atendidos e oferecidos pela rede.

Restrições arquiteturais e ambientais que podem afetar a implementação e/ou expansão da rede devem ser descritas.

Além disso, devemos descrever a comunidade de usuários – possivelmente dividida em classes – com suas necessidades de serviços, e as aplicações, com seus atributos e necessidades específicas.

Requisitos de treinamento e de suporte devem estar definidos.

PROJETO LÓGICO

No projeto lógico busca-se documentar a organização lógica da rede. Por organização lógica costuma-se entender:

· A topologia lógica da rede;

· Uma descrição dos protocolos de nível 2 (comutação) e nível 3 (roteamento), incluindo qualquer recomendação sobre o uso desses protocolos;


· Um esquema de endereçamento e atribuição de nomes;

· Um esquema de roteamento;

· Os mecanismos e produtos recomendados para a segurança, incluindo um resumo de políticas de segurança e procedimentos associados (um plano completo de segurança pode ser incluído como apêndice);

· Recomendações sobre arquitetura e produtos para a gerência;

· Explicações sobre o porquê de várias decisões tomadas, relacionando as decisões aos objetivos do cliente.

É importante incluir esquemas e desenhos no projeto lógico que facilitem sua compreensão.

 PROJETO FÍSICO

No projeto físico costuma-se documentar a organização física da rede. Por organização física costuma-se entender:

· A topologia física da rede, destacando pontos de interconexão, centros de fiação etc.;

· A especificação das tecnologias de cabeamento e de transmissão utilizadas, com justificativas para cada escolha;

· A especificação dos equipamentos utilizados – máquinas clientes, máquinas servidoras, máquinas de armazenamento de dados (storage), máquinas de backup, dispositivos de interconexão (concentradores, comutadores, roteadores, etc.) – com justificativas para cada escolha;

· A escolha do provedor de acesso à Internet e a forma de conexão ao mesmo;

· Os custos de manutenção mensal (ou anual) de equipamentos e serviços.

TOPOLOGIA FÍSICA

A rede está implantada em um prédio de 3 pavimentos, com a seguinte ocupação:

Cada pavimento dispõe de um armário de telecomunicação que funciona como centro de fiação para o pavimento e local de instalação dos equipamentos de interconexão da rede. No pavimento 3/Diretoria, localiza-se a sala de equipamentos que contém os servidores da rede.

TECNOLOGIAS DE CABEAMENTO E TRANSMISSÃO

Considerando a adoção das normas de cabeamento estruturado e a abrangência da rede para sua implantação nos 3 pavimentos, adotou-se um cabeamento vertical em fibra ótica monomodo, com conectorização padrão SC para suporte de tráfego a 1000 Mbits por segundo (Mbps).

Para o cabeamento horizontal, adotou-se cabo de pares trançados, categoria 5e, com conectorização padrão RJ45/568A, com suporte para tráfego a 100 Mbps.

Para a conexão ao ISP, usamos o serviço Frame-Relay oferecido pela operadora de telefonia local, com velocidade nominal de 512 Mbps e CIR (Commited Insertion Rate) de 256 Mbps, que apresenta a melhor relação custo/benefício para a empresa.

ESPECIFICAÇÃO DE EQUIPAMENTOS UTILIZADOS

Os equipamentos seguintes são utilizados na rede. Em cada caso, são indicados marca e modelo do produto, versão do hardware e software, características básicas, nome e endereço da assistência técnica, identificação na rede (de acordo com a regra de nomes adotada).

PROVEDOR DE ACESSO À INTERNET

Informações sobre os provedores de acesso à Internet utilizados devem também ser documentadas. Para este exemplo, poderíamos documentar que a empresa Sdrubs&Sdrubs está sendo usada como provedor de acesso à Internet, com um link com tecnologia Frame-relay em 512/256 Kbps.

CUSTO DE MANUTENÇÃO

Os custos de manutenção mensal da rede são divididos em custos de provimento de serviço Internet, custos de contrato de manutenção preventiva e custeio geral (pequenas despesas diversas), de acordo com a Tabela 2 abaixo.

CONFIGURAÇÃO DE EQUIPAMENTOS

Uma parte importante da gerência de uma rede é a configuração dos equipamentos Ativos que a compõe.

Com ou sem o uso de uma ferramenta de gerência, é de suma importância que exista uma documentação sobre a configuração dos equipamentos da rede.

Essa documentação pode ser feita na forma de roteiros impressos (menos indicado) ou de procedimentos parametrizáveis que possam se executados a partir de uma estação de trabalho.

Para diversos equipamentos de interconexão, existem programas de configuração que permitem o salvamento da configuração de um equipamento em um arquivo em disco para posterior reconfiguração do equipamento no caso de problemas de perda de configuração.

Servidores e estações clientes devem ter seus procedimentos de instalação e configuração bem definidos e impressos, para que possam ser localizados e usados rapidamente.

DOCUMENTAÇÃO ADICIONAL

Além dos itens já elencados, é importantes anexar à documentação da rede os seguintes elementos:

· Planta baixa de infraestrutura, indicando as dimensões de tubulação e/ou eletro calhas utilizadas;

· Planta baixa com o encaminhamento dos cabos, indicando o número de cabos UTP e/ou fibra por segmento da tubulação;

· Relatório dos testes de certificação de todos os pontos instalados;

· Relatório de testes dos segmentos de fibra óptica;

· Layout dos Armários de Telecomunicações;

· Mapa de interconexão dos componentes ativos e passivos, isto é, lista de todas as tomadas RJ45 de cada painel de conexão e das portas dos equipamentos;

· Termos de garantia dos elementos ativos e passivos da rede.

A planta baixa dos prédios com o projeto de rede deverá ser fornecida, idealmente, em formato apropriado (por exemplo, AUTOCAD), obedecendo às seguintes convenções:

· Nível 0 – edificação e arquitetura com legenda, contendo escala do desenho, identificação da unidade, nome do prédio, pavimento, nome do projetista e data de execução;

· Nível 1 – tubulação preexistente e a construída;

· Nível 2 – cabeamento UTP;

· Nível 3 – cabeamento óptico;

· Nível 4 – componentes ativos tais como estações de trabalho, estações servidoras, concentradores (hubs), comutadores (switches), roteadores etc.;

· Nível 5 – componentes passivos, armários de telecomunicação, painéis de manobra e pontos de telecomunicações;

· Nível 6 – identificação de salas e observações;

· Nível 7 – móveis ou outros objetos.

Os termos de garantia obtidos ao final da implantação de uma rede devem descrever claramente os limites e a duração da garantia para cada componente do sistema instalado. Mesmo que o prestador de serviço tenha contratado outros terceiros, a garantia final será dada e mantida pelo prestador. Os requisitos mínimos de garantia recomendados para cada componente são:

· Equipamentos ativos: 1 ano após a instalação (idealmente 3 anos para equipamentos de interconexão);

· Cabos e componentes acessórios: 5 anos contra defeitos de fabricação;

· Infra-estrutura: 3 anos contra ferrugem e garantia de resistência mecânica;

· Funcionalidade e desempenho: 5 anos.

3ª PROVA - Declaração de desempenho assegurado para as aplicações para as quais a rede física foi proposta, com indicação de possíveis restrições para outras aplicações ou para as aplicações introduzidas no futuro pelos principais organismos internacionais (IEEE, TIA/EIA, ISO/IEC, ATM FORUM etc.), também deve ser fornecida.
CONTROLE DE ALTERAÇÕES

Alterações na estrutura de rede sempre existirão, então deverá ser feito um controle destas alterações ao final da documentação, contendo a versão atual, a data divulgada, a lista de alterações efetuadas.

Exemplo:

· Versão 1.0 – 20/01/2008 – Primeira edição.

· Versão 1.2 – 20/07/2008 – Alteração link de comunicação

· Versão 2.0 – 20/01/2009 – Redistribuição de equipamentos e softwares instalados

· Versão 3.0 – 20/10/2010 – Novo layout cabeamento vertical

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